Bençãos Emergenciais e Bençãos Meritórias
Quando olhamos para a Palavra de Deus "a Bíblia" conseguimos visualizar e entender que Deus, desde o início do seu relacionamento com os homens, procede de forma misericordiosa. Contudo, podemos perceber que mesmo sendo misericordioso, Deus tem outro atributo notável que é manifesto com muita freqüência, a justiça. Estes atributos são imprescindíveis no relacionamento Divino - humano. Vale lembrar que Deus consegue ser, ao mesmo tempo, justo e misericordioso.
Jesus motiva seus discípulos a sempre orarem e nunca desanimarem através de uma parábola - da viúva persistente. Neste relato há somente três personagens: uma viúva, um juiz e um adversário.
Além do estado civil, viúva, esta mulher provavelmente era sozinha e como diz o texto era vítima de uma injustiça. Para agravar a situação toda viúva no Direito Romano, da época, era impedida de administrar finanças ou bens. Assim, quando a viúva não tinha filhos era o Estado quem automaticamente herdava o espólio do marido falecido. A viúva com nada ficava. Dependendo dos outros até para se alimentar.
A perseverante viúva tinha um adversário que ao certo lhe causou algum dano ou uma injustiça. Com toda certeza ela tentou resolver sozinha a questão, mas não teve êxito. Por isso, procurou alguém que estivesse acima dela e que faria justiça, um juiz. O problema é que a Justiça é lenta e o juiz, em tela, era injusto. Jesus afirma que ela se dirigia continuamente ao juiz dizendo: "Faze-me justiça contra meu adversário" Lucas 18:3. Ora, não há uma medida de tempo em meses ou anos. Há uma descrição do modo como a viúva buscava sua justiça continuamente. Jesus, também, enfatiza que por algum tempo o juiz se recusava a sentenciar favoravelmente aquela mulher.
Podemos aprender várias lições com esta parábola. Mas quero enfatizar que a viúva não dizia: "faça alguma coisa por mim, tem misericórdia de mim senhor juiz!" Mas dizia: "Faze-me justiça contra meu adversário" Lucas 18:3. Aqui está a diferença entre bênçãos emergenciais e bênçãos meritórias. A primeira é dada por Deus sem que haja o mínimo merecimento por parte do recebedor. A segunda é mérito. Não se fala em misericórdia e sim em Justiça Divina. Ela com toda certeza tinha direitos garantidos pela Lei e adquiridos pelo fato concreto. Mas faltava-lhe o efetivo cumprimento dos seus direitos que cabia ao juiz, através do poder que era revestido, executá-los.
Outra viúva falou para o Profeta Elizeu: "Teu servo, meu marido, morreu, e tu sabes que ele temia a Deus. Mas agora veio o credor para levar meus dois filhos". II Reis 4:1. Ela invoca a justiça de Deus, pois tinha direitos. Ela disse: "Teu servo", em primeiro lugar. Para enfatizar o fato de que seu marido tinha se dedicado integralmente a obra de Deus. Antes de ser marido era servo de Deus. O que Deus fez a esta mulher? Fez justiça. Fez daquela viúva endividada uma empresária. Ela tinha créditos com Deus.
Como cristãos vivemos mais das BENÇÃOS EMERGENCIAIS. Não é porque a misericórdia de Deus é infinita. Mas porque para nós é mais cômodo. Assim, não nos preocupamos em mudar nosso caráter, controlar nosso temperamento e praticar a justiça e a santidade. Aliás, quando falamos em justiça divina temos receio e medo. Afinal, sabemos dos nossos atos injustos e sabemos julgar bem os outros. Isso é de fácil constatação. Quando alguém nos faz uma injustiça, logo dizemos: "Deus faça justiça". Quando não oramos com mais ousadia: "Deus pese a tua mão sobre fulano". Quando fazemos estas "orações" temos uma convicção enorme que estamos dentro do nosso Direito e que o ofensor merece uma punição.
Quando Deus fez alianças com seu povo, deixou claro que abençoaria abundantemente. Mas para todas as bênçãos era dada uma condição. O capítulo 28 de Deuteronômio começa com "SE". Antes da lista de bênçãos há exigências divinas. Portanto, estas bênçãos são MERITÓRIAS. Todo o seu esforço investido em obedecer e seguir ao Senhor será recompensado. "Deus o colocará muito acima de todas as nações da terra. Todas estas bênçãos virão sobre você e os acompanharão" (sugiro que leia Deuteronômio 28). Quando eu faço o que Deus determinou, sou recompensado por isso. Aqui está a justiça de Deus. Se você trabalhar para uma pessoa ou empresa e no final do mês eles não pagam seu salário, como você se sente? Injustiçado. Então você deveria falar ao seu chefe: "tem misericórdia de mim!"? Claro que não. Agora existem pessoas que cobram sem ter direitos. Não se esforçam, são infiéis, são inconstantes nos dízimos e ofertas, e querem ser abençoadas. Deus não muda. O que Ele disse no passado vale para o futuro.
Jesus estabeleceu uma semelhança daquele juiz com Deus, com relação à autoridade e ao poder de decidir. Todavia, firmou as diferenças também. O juiz injusto só decidiu a lide da viúva porque estava sendo importunado. Deus não faz justiça porque é importunado. Deus não se sente incomodado com orações. Elas são aromas suaves às suas narinas. Deus incentiva os clamores ? "clama a mim e responderei" Jeremias 33:3. Jesus ensinou que Deus fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a Ele dia e noite. Mais ainda, não continuará fazê-lo esperar. Lucas 18:7. Acredite. Deus tem mais pressa, em fazer justiça a você, do que você imagina. A grande "preocupação" de Jesus é se vai encontrar fé na terra. A sua fé levará você a viver as BÊNÇÃOS MERITÓRIAS de Deus. Desfrute de uma consciência tranqüila enquanto Deus faz justiça na sua vida. Viva em obediência à Palavra de Deus.
